Agorafobia: companheira do pânico - Flávio Hastenreiter - Terapia Cognitivo-Comportamental
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Agorafobia: companheira do pânico

Agorafobia: companheira do pânico

Charles H. Elliott e Laura L. Smith

Aproximadamente metade das pessoas que sofrem de transtorno de pânico têm problemas associados a este: agorafobia. Diferentemente da maioria dos medos ou fobias, esse estranho distúrbio geralmente começa na idade adulta. Indivíduos com agorafobia vivem sob o terror de ficarem presos. Além disso, eles se preocupam em ter um ataque de pânico, vomitar ou ter diarreia em público. Evitam desesperadamente situações das quais não podem escapar facilmente e também temem lugares onde a ajuda não seja imediata, caso precisem dela.

O agorafóbico pode começar com um medo, tal como estar no meio de uma multidão, mas em muitos casos as situações temidas se multiplicam a tal ponto que a pessoa teme até mesmo sair de casa. Como a agorafobia une forças com o pânico, os medos em dose dupla de não obter ajuda e de se sentir enterrado e sem saída podem levar a um isolamento paralisante.

Você ou alguém que ama pode ter agorafobia se:

Você se preocupa por estar em algum lugar de onde não pode sair ou não consegue ajuda no caso de algo ruim acontecer, como um ataque de pânico.

Você tem medo de coisas cotidianas como sair de casa, estar em meio a grandes grupos de pessoas ou viajar.

Devido à sua ansiedade, você evita tanto os lugares que teme que o medo passe a controlar sua vida e você se torne um prisioneiro dele.

Você pode ter preocupações sobre sentir-se preso ou ter ansiedade em relação a multidões e a sair de casa. Muitas pessoas sentem isso. Mas se sua vida segue sem grandes alterações nem restrições, você provavelmente não é agorafóbico.

Por exemplo, imagine que você estremeça diante do pensamento de entrar em grandes estádios. Vê imagens de multidões em um empurra-empurra, que fazem com que você caia sobre a grade, aterrissando lá embaixo, apenas para ser pisoteado pelo mundo de gente que não ouve seus gritos. Você pode ser capaz de levar uma vida feliz evitando estádios esportivos. Por outro lado, se você ama assistir a eventos esportivos ao vivo ou apenas tem um emprego como repórter esportivo, esse medo pode ser muito ruim.

A história de Patrícia, que vem a seguir, demonstra a ansiedade esmagadora que muitas vezes captura os agorafóbicos.

Patrícia comemora seu aniversário de 40 anos sem ter tido problemas emocionais significativos. Passou pelos solavancos habituais na estrada da vida, como a perda de um dos pais, o déficit de aprendizagem de seu filho e um divórcio dez anos antes. Ela se orgulha de lidar com quaisquer cartas que a vida lhe dê.

Ultimamente, se sente estressada quando faz compras no shopping, aos finais de semana, por causa das multidões. Ela encontra uma vaga de estacionamento no final de uma fileira. Quando entra no shopping, suas mãos suadas deixam uma mancha na porta giratória de vidro. Patrícia sente como se estivesse sendo esmagada pela multidão de compradores e se sente presa; está tão assustada que foge da loja.

Ao longo dos próximos meses, seus medos se propagam. Apesar de terem começado no shopping, o medo e a ansiedade agora a dominam também em supermercados lotados. Posteriormente, o simples fato de dirigir no tráfego a assusta. Patrícia sofre de agorafobia. Se não for tratada, ela poderá acabar confinada em casa.

Muitas vezes, pânico, agorafobia e ansiedade atacam pessoas que, de outra forma, são livres de problemas emocionais graves e profundos. Se você sofre de ansiedade, não significa necessariamente que precisará de anos de psicoterapia. Você pode não gostar da ansiedade, mas não precisa achar que é louco!