Diferenciando os comportamentos assertivo, não assertivo e agressivo - Flávio Hastenreiter - Terapia Cognitivo-Comportamental
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Diferenciando os comportamentos assertivo, não assertivo e agressivo

Diferenciando os comportamentos assertivo, não assertivo e agressivo

A seguir, são expostas diversas características correspondentes a cada tipo de comportamento, as quais podem contribuir para o estabelecimento das diferenças entre eles.

ASSERTIVO

Geralmente, é mais adequado e reforçador do que os outros estilos de comportamento. Ser assertivo leva o indivíduo a controlar melhor seu ambiente e a si mesmo e a se expressar franca e honestamente, sem sentimentos de ansiedade e de culpa. De modo geral, a pessoa se sente mais satisfeita consigo e com o outro. Este estilo de comportamento pode ser aprendido. O comportamento assertivo implica a expressão direta dos sentimentos, das necessidades, dos direitos legítimos e das opiniões, sem, com isso, ameaçar ou castigar os demais. A mensagem é dita sem dominar, humilhar ou degradar o outro. A asserção envolve respeito, tanto por si mesmo quanto pelo outro. Este tipo de comportamento também pode gerar conflitos. Ou seja, agir assertivamente não garante que o outro irá compreender a mensagem ou aceitar a opinião expressada. A pessoa que age de maneira assertiva pode ou não atingir seus objetivos, mas geralmente se sente melhor por ter sido capaz de expressar suas opiniões. De forma geral, o comportamento assertivo resulta na diminuição da ansiedade, em relações mais íntimas e significativas, em um maior respeito a si mesmo e em uma melhor adaptação social.

Emocionalmente honesto na expressão de sentimentos negativos.

Expressa sentimentos negativos, controlando a forma de expressão.

Procura atingir objetivos, preservando, tanto quanto possível, a relação.

Persevera nos objetivos e avalia o próprio comportamento.

Consegue discordar do grupo.

Defende os próprios direitos, respeitando os direitos alheios.

Valoriza-se sem ferir o outro.

Faz as próprias escolhas, considerando opiniões alheias quando necessário.

Gera, em relação a si, sentimentos de respeito.

Sente-se satisfeito consigo mesmo.

Produz uma imagem positiva de si mesmo.

Usa geralmente expressões afirmativas (sim, não, quero, vamos resolver), incluindo EU ou NÓS.

Mantém contato visual com o interlocutor, fala fluentemente, em tom audível, com gestos firmes e postura apropriada.

NÃO ASSERTIVO (PASSIVO)

Implica a violação dos próprios direitos, na medida em que o indivíduo que age de modo não assertivo não é capaz de expressar honestamente seus sentimentos, pensamentos e opiniões, permitindo, assim, que os demais violem seus sentimentos. Outra característica de um comportamento não assertivo é a expressão dos pensamentos e sentimentos de maneira autoderrotista, com desculpas ou falta de confiança. Evitação do olhar, fala vacilante, baixo volume de voz, postura corporal tensa e movimentos corporais nervosos ou inapropriados são comportamentos não verbais não assertivos comuns. O objetivo deste estilo de comportamento é apaziguar os demais e evitar conflitos a todo custo. Normalmente, a pessoa que age desta forma se sente incompreendida, desconsiderada, manipulada e incomodada com o resultado da situação. Isso pode ocasionar um comportamento hostil e irritado para com a outra pessoa, o que, por sua vez, provoca sentimentos de culpa, tristeza e baixa autoestima. Indivíduos não assertivos podem apresentar queixas psicossomáticas, como dores de cabeça frequentes. São pessoas que, frequentemente, fazem coisas que não gostariam de fazer, podendo, às vezes, explodir. Elas se sentem inferiores e subordinadas aos outros. Tratam de ser tudo para todo mundo e não são nada para si mesmas. São como camaleões, buscando agradar a todos com quem estão. Têm dificuldade de dizer não e são agradáveis.

Emocionalmente inibido na expressão de sentimentos negativos.

Quando expressa sentimentos negativos, a forma é inapropriada.

Muito raramente atinge os objetivos e usualmente os sacrifica para manter a relação.

Não persevera, recriminando-se a si e aos outros.

Quase sempre concorda com o grupo.

Não defende os próprios direitos, mas respeita os direitos alheios.

Desvaloriza-se.

Indeciso nas escolhas, submete-se a opiniões alheias.

Gera, em relação a si, sentimentos de pena, irritação ou desprezo.

Sente-se mal consigo mesmo.

Produz uma imagem negativa de si mesmo.

Usa expressões dúbias (talvez, acho que, quem sabe), raramente incluindo o pronome EU.

Evita contato visual, com perturbações na fala e tom “de queixa”, gestos vacilantes ou “nervosos” e postura submissa.

AGRESSIVO

Implica a defesa dos direitos pessoais e a expressão dos pensamentos, sentimentos e opiniões de maneira exagerada. Com frequência, esta forma de se expressar é desonesta e inapropriada, e sempre viola os direitos da outra pessoa. A agressão pode ser verbal direta, incluindo ofensas, insultos, ameaças e comentários hostis ou humilhantes. Também pode vir acompanhada de comportamentos não verbais, como punhos cerrados, olhares intensos e ataques físicos. A agressão pode, ainda, ser verbal indireta, envolvendo comentários sarcásticos e rancorosos e murmúrios maliciosos. Por fim, outra categoria de comportamentos não verbais ligados à agressão inclui gestos físicos realizados enquanto a atenção da outra pessoa se dirige a outro lugar. Os objetivos típicos da agressão consistem em dominar e vencer (a qualquer preço), forçando a outra pessoa a perder. A vitória é assegurada por meio da humilhação, da degradação, da minimização, da dominação e da defesa de seus direitos e necessidades. O lado negativo deste comportamento se refere à possível culpa que a pessoa venha a sentir. Além disso, o receptor pode se ressentir e buscar vingança por meios diretos ou indiretos. Há, ainda, a possibilidade de o comportamento agressivo criar uma tensão na relação interpessoal com o outro ou a evitação de futuros contatos.

Emocionalmente honesto na expressão de sentimentos negativos.

Expressa sentimentos negativos de forma inapropriada.

Atinge objetivos, na maioria das vezes prejudicando a relação.

Persevera sem avaliar as consequências.

Consegue discordar do grupo.

Defendo os próprios direitos, geralmente desrespeitando os direitos alheios.

Valoriza-se, ferindo o outro.

Faz escolhas para si e para os outros.

Gera, em relação a si, sentimentos de raiva e vingança.

Pode sentir-se bem ou mal consigo mesmo.

Produz uma imagem negativa de si mesmo.

Usa expressões imperativas (faça assim, você não deve, eu quero assim), incluindo o pronome EU.

Mantém contato visual intimidador, com fala fluente, em tom acima do necessário, gestos ameaçadores e postura autoritária.

Fonte textual: Caballo (2008); Rangé e Borba (2010)
Vídeo: Canal Minutos Psíquicos