Fobias específicas: aranhas, cobras, aviões e outras coisas assustadoras - Flávio Hastenreiter - Terapia Cognitivo-Comportamental
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Fobias específicas: aranhas, cobras, aviões e outras coisas assustadoras

Fobias específicas: aranhas, cobras, aviões e outras coisas assustadoras

Charles H. Elliott e Laura L. Smith

Muitos temores parecem ser inatos ao cérebro humano. Os homens e mulheres das cavernas tinham boas razões para temer cobras, estranhos, alturas, escuridão, espaços abertos e a visão de sangue, pois havia possibilidade de as cobras serem venenosas, os estranhos serem inimigos, uma pessoa cair de uma altura, a escuridão abrigar perigos desconhecidos, espaços abertos deixarem um tribo primitiva vulnerável a ataques de todos os lados e a visão de sangue sinalizar uma crise, até mesmo a possível morte. O medo abastece a cautela e previne danos. Aqueles com esses medos tiveram uma chance maior de sobrevivência do que os ingenuamente corajosos.

É por isso que muitos medos mais comuns hoje em dia refletem perigos do mundo dos milhares de anos atrás. Ainda hoje, faz sentido identificar com cautela uma aranha antes de pegá-la. Entretanto, às vezes o medo chega a um nível incapacitante. Você pode ter uma fobia específica se:

Tem medo exagerado de uma situação ou objeto específico.

Sente, imediatamente, uma ansiedade excessiva quando se encontra em uma situação assustadora. Sua ansiedade pode incluir sudorese, batimentos cardíacos acelerados, desejo de fugir, aperto no peito ou garganta ou imagens de coisas terríveis acontecendo.

Sabe que o medo é irracional. No entanto, crianças com fobias específicas nem sempre sabem que sua fobia é irracional. Por exemplo, elas podem realmente achar que todos os cães mordem ou são perigosos.

Evita o objeto ou a situação temida tanto quanto pode.

Como seu medo é tão intenso, você chega a ponto de alterar seu comportamento diário no trabalho, em casa ou nos relacionamentos. Assim, seu medo é um inconveniente para você e talvez para outros e ele restringe sua vida.

Quase dois terços das pessoas têm medo de alguma coisa. A maioria acha que esses medos não interferem significativamente em sua vida cotidiana. Por exemplo, se você tem medo de cobras, mas não encontra muitas delas por aí, então seu medo não pode realmente ser considerado uma fobia. No entanto, se o seu medo de cobras faz com que seja impossível para você andar em seu bairro, ir a um piquenique ou desfrutar de outras atividades, então ele pode ser uma fobia específica.

A seguinte descrição da vida de Fred é um retrato perfeito do que alguém com uma fobia específica atravessa.

Fred se arrasta por oito lances de escadas todas as manhãs para chegar a seu escritório e diz a todos que ama o exercício. Quando Fred passa pelos elevadores no caminho para a escada, seu coração bate fortemente e surge nele uma sensação de catástrofe. Fred se imagina sendo encaixotado dentro do elevador – as portas se fecham e não há escapatória. Em sua mente, a cabine do elevador sobe em cabos enferrujados, faz solavancos repentinos para cima e para baixo, cai livremente e se espatifa no porão.

Fred nunca teve uma experiência como essa de sua fantasia, nem ninguém que ele conhece passou por algo parecido. Fred nunca apreciou elevadores, mas ele só começou a evitá-los nos últimos anos. Parece que quanto mais tempo fica sem usá-los, seu medo aumenta. Ele costumava se sentir bem em escadas rolantes, mas agora se percebe evitando-as também. Algumas semanas atrás, no aeroporto, ele não teve alternativa senão usar a escada rolante. Ele conseguiu subir, mas ficou tão assustado que teve que se sentar por um tempo depois de ter chegado ao segundo andar.

Uma tarde, Fred desceu correndo as escadas depois do trabalho, atrasado para um compromisso. Ele escorregou e caiu, quebrando a perna. Agora, com o gesso, Fred enfrenta o desafio de sua vida – a perna quebrada o obriga a tomar o elevador para chegar a seu escritório. Fred tem uma fobia específica.

A história de Fred ilustra como uma fobia específica muitas vezes começa pequena e se espalha. Ela cresce gradualmente e afeta cada vez mais a vida de uma pessoa, ao longo do tempo.