O tratamento da Depressão grave na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) - Flávio Hastenreiter - Terapia Cognitivo-Comportamental
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O tratamento da Depressão grave na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

O tratamento da Depressão grave na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

O tratamento da Depressão grave possui três focos principais de intervenção na TCC:

Desesperança e suicídio;
Baixa energia;
Baixa autoestima.

DESESPERANÇA

A Desesperança é, sem dúvida, um dos sintomas mais devastadores da depressão. Além do impacto visível na vida diária do paciente, a desesperança é fortemente associada ao suicídio. Uma associação perfeitamente compreensível, pois em se tratando de uma pessoa que perdeu as expectativas em relação ao futuro e não consegue enxergar nada além de dor e sofrimento em seu relacionamento com o mundo, a alternativa pelo suicídio lhe parece a mais razoável. A TCC busca amenizar a desesperança e consequentemente reduzir a possibilidade de suicídio.

Instilar a esperança em um paciente com essas características não é tarefa fácil, pois tais pacientes geralmente são muito reticentes no engajamento do tratamento, já que eles acreditam que nada irá funcionar. São presos em pensamentos e padrões comportamentais que levam ao isolamento social, afastamento de atividades de qualquer ordem, sejam físicas, intelectuais ou lazer, pois sua crença é de que nada do que for feito surtirá algum efeito positivo. Se o paciente não tiver a esperança de que o tratamento possa dar certo, nada poderá ser feito. Um dos passos primordiais para isso é a relação terapêutica, ela é a base para o sucesso de qualquer intervenção.

Desse modo, para promover a esperança do paciente no tratamento é necessário (Baseado em Wright et al 2010):

Um bom relacionamento terapêutico;
Educar o paciente quando ao modelo cognitivo;
Estruturar sessões de acordo com as metas realistas;
Estabelecer tarefas comportamentais graduais para desenvolver a capacidade de mudança;
Desafiar cognições negativas;
Identificar pontos fortes/positivos;
Desenvolver pensamento realista;
Abordar o pensamento suicida (caso ele exista).

Os pontos levantados acima sofrem forte influência da visão de mundo do próprio terapeuta, ou seja, um terapeuta indiferente, sem objetivos claros e que conduz um processo terapêutico de forma obscura ou misteriosa, pode levar ao agravamento da desesperança do paciente. Uma boa relação terapêutica possui aquilo que todos gostam: gentileza, empatia, compreensão e otimismo, sem fugir da realidade.

É necessário que os pensamentos desesperançosos do paciente sejam desafiados e, para isso, o terapeuta deve lançar mão de toda a sua criatividade. Caso contrário, o paciente acabará validando suas cognições desesperançosas e acreditando que elas são, de fato, a representação da realidade de seu mundo. Para reverter esse quadro as técnicas de reestruturação cognitiva são excelentes ferramentas terapêuticas.

BAIXA ENERGIA

Energia e interesse rebaixados são sintomas comuns na depressão. O tratamento desses sintomas consiste basicamente de tarefas comportamentais, mas trabalhar sobre os pontos positivos do paciente e suas potencialidades também agregam bons resultados na recuperação, além de promover o bem-estar do paciente.

É necessário estimular o paciente a se envolver em atividades que ele acredita que o faça se sentir melhor. Essa abordagem, denominada de ativação comportamental, possibilita que o paciente se sinta em movimento e realizado, com a sensação de que sua vida está em andamento e, consequentemente, aumenta sua esperança.

A ativação comportamental possui um efeito positivo sobre as outras intervenções realizadas, pois ao movimentar, o paciente passa a se perceber com mais capacidade de realizar outras atividades, aumentando assim, seu interesse pelo tratamento.

Portanto, é necessário que a escolha de tarefas de ativação comportamental seja congruente com o interesse do paciente e, também, de acordo com a gravidade da depressão. Alguns pacientes precisam de tarefas bem simples para começar, como dar um volta no quarteirão ou na praça, por exemplo. O importante é incentivar o paciente a dar o primeiro passo, mesmo que pareça pequeno, para que ele gradualmente se sinta confortável em realizar outras atividades. Geralmente os pacientes com depressão grave sabem o que devem fazer para melhorar, o que eles precisam é de incentivo para transpor barreiras e serem capazes de realizar mudanças.